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A China publicou o primeiro padrão de GEO: o que ele exige de quem vende visibilidade em IA

Cinco padrões chineses definem como medir, cobrar e contratar GEO, e o que é proibido. São voluntários e escritos por fornecedores, mas viram checklist de contrato para quem compra no Brasil.

Publicado em 5 min de leitura

Em 14 de setembro de 2026, a China Association of Commercial Advertising (CAAC), associação chinesa do setor de publicidade comercial, publicou na plataforma nacional de padrões de grupo cinco padrões sobre GEO, o trabalho de fazer uma marca aparecer e ser recomendada nas respostas de IA. Os documentos, numerados de T/CAACCHINA 001 a 005—2026, definem o que conta como GEO, como medir, como cobrar e o que é proibido. O Search Engine Journal chamou o conjunto de primeiro manual de regras do setor.

O padrão é voluntário e foi escrito por quem vende GEO. Mesmo assim, transforma em regra escrita o que o comprador brasileiro já pode exigir hoje em contrato. O ponto fraco está na medição: o mínimo de amostra que ele fixa fica abaixo do que os dados indicam até para um diagnóstico inicial.

O que levou a China a escrever regras para GEO

O gatilho foi televisivo. Em 15 de março de 2026, o programa 3·15 da CCTV, a emissora estatal, exibido no Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, mostrou um teste com uma pulseira inteligente que não existe, a Apollo-9. Segundo o China Daily, um software de GEO comprado em e-commerce gerou mais de uma dúzia de artigos promocionais com recursos inventados e os publicou em contas de autopublicação. Depois de mais 11 artigos fabricados, duas IAs passaram a incluir o aparelho entre as principais sugestões de pulseira. A reportagem não identifica quais.

A reação veio em duas frentes. Segundo o Global Times, a SAMR, o regulador de mercado chinês, já tinha apontado em janeiro a publicidade gerada por IA como desafio de fiscalização para 2026. Do lado da indústria, o comitê de redação do padrão se reuniu pela primeira vez em 29 de abril, em Pequim, segundo o Search Engine Journal.

O que o padrão define

Os números abaixo vêm do Search Engine Journal, que linkou e descreveu as cinco partes. A página oficial lista os documentos, mas não exibe o texto integral.

  • Cinco partes — termos e definições (separa GEO de SEO), avaliação de fornecedores com notas de A a D e veto, preço e medição, qualidade das fontes e conformidade do processo.
  • Quem escreveu — fornecedores e plataformas: a Mininglamp liderou a parte de preço e medição, a Publicis aparece em duas partes, e Zhihu, Sohu, a operadora do Weibo e a 360 participaram.
  • Métricas — taxa de visibilidade em IA, participação de visibilidade contra concorrentes, posição média, taxa de sentimento não negativo e taxa de citação de fontes.
  • Amostra mínima — 30 execuções no nível mais detalhado do relatório, por exemplo por intenção, por motor e por dia.
  • Contrato — em modelos híbridos, a parte fixa precisa ser de pelo menos 30% do valor; correções de erros começam em até 72 horas.
  • Proibido — conteúdo falso, envenenamento de corpus, injeção de prompt, avaliações e fontes forjadas, difamação de concorrentes. Também é proibido prometer “controle absoluto” da resposta do modelo ou “100% de dominância”.
  • Força legal — nenhuma. É padrão de grupo, sem multa e sem data de vigência informada pelas fontes.
  • Brasil — não se aplica. Não há menção a outros mercados.

Por que importa para quem contrata GEO no Brasil

O padrão chinês responde por escrito às perguntas que listei no guia para avaliar um especialista em GEO: quantas respostas você coleta, o que você não pode prometer, como trata manipulação. A diferença é que lá viraram cláusula.

Isso dá ao comprador uma referência pronta. A CRO Brasil resumiu a ideia em “a gente pode só copiar” e listou as cláusulas: amostra mínima, lista do que não se promete, proibição de black hat GEO, parte fixa para o trabalho legítimo e plano de correção.

Os limites também estão nas próprias fontes. O padrão foi escrito majoritariamente por fornecedores, o que pode proteger o mercado tanto quanto o comprador, como apontam o Search Engine Journal e a CRO Brasil. É voluntário, então só vale quando entra em contrato. E parte do conteúdo, segundo a CRO Brasil, é SEO tradicional com nome novo.

O que os dados mostram sobre a amostra mínima

Trinta execuções por recorte é pouco para afirmar presença de marca. No estudo metodológico FA-MET-01, “Como medir o que uma IA recomenda”, publicado pela First Answer em abril de 2026, com três experimentos e 7.000 chamadas na interface do ChatGPT, até o diagnóstico inicial, que só diz se o mercado é concentrado e quem está no topo, pede 100 a 200 chamadas, com margem de ±7 a 10 pontos. Medir a presença de cada marca com ±3 pontos pede 1.000.

O próprio padrão reconhece o problema. Segundo o Search Engine Journal, a tabela de margens do anexo da parte 3 não segue a estatística binomial clássica, e um intervalo de 95% seria cerca do dobro do que ela mostra.

Falta ainda o ambiente. As coberturas não dizem se o padrão exige declarar se a medição foi feita pela API ou pela interface que o consumidor usa. O segundo estudo da série, o FA-MET-02, “API ou interface, eis a questão”, fez a mesma pergunta 1.000 vezes pela API do ChatGPT e 1.000 vezes pela interface: 12 das 15 marcas principais mudaram de forma significativa entre os dois ambientes.

O que pedir num contrato de GEO

  1. Exija a amostra por escrito: quantas execuções por pergunta, por IA e por período, e qual a margem de erro.
  2. Peça o ambiente de medição: API ou interface, e em quais IAs.
  3. Anexe a lista do que não pode ser prometido, como primeiro lugar garantido ou controle da resposta.
  4. Inclua a cláusula contra conteúdo fabricado, com as táticas proibidas nomeadas.
  5. Defina o prazo de correção quando uma IA repetir informação errada sobre a marca.

Uma régua que ainda precisa de escala

A China foi a primeira a escrever o que é GEO honesto, e o roteiro serve para qualquer mercado. O número que ela fixou para medir é o ponto de partida, não o de chegada.

Perguntas frequentes

A China criou uma lei sobre GEO?

Não. Os cinco documentos publicados em setembro de 2026 (T/CAACCHINA 001 a 005—2026) são padrões de grupo, voluntários e escritos pela própria indústria, sob a China Association of Commercial Advertising. Não preveem multa; a força deles vem de contratos e da referência por reguladores, segundo o Search Engine Journal.

O que o padrão chinês de GEO proíbe?

Segundo o Search Engine Journal, o padrão classifica como black hat GEO o conteúdo falso, a distribuição anormal, o envenenamento de corpus, a injeção de prompt, tráfego e avaliações falsos, fontes forjadas e a difamação de concorrentes. Também proíbe prometer controle absoluto da resposta do modelo ou 100% de dominância.

Quantas execuções o padrão chinês exige para medir visibilidade em IA?

Segundo o Search Engine Journal, o padrão exige no mínimo 30 execuções no nível mais detalhado do relatório, por exemplo por intenção, por motor e por dia.

O padrão chinês de GEO vale no Brasil?

Não. É um padrão voluntário de uma associação chinesa, sem efeito fora da China. Empresas brasileiras podem usar os critérios dele como referência ao contratar serviços de GEO.

O que motivou o padrão chinês de GEO?

Em 15 de março de 2026, o programa 3·15 da emissora estatal CCTV mostrou que um software de GEO publicou artigos fabricados sobre uma pulseira inteligente inexistente e que duas IAs passaram a recomendá-la entre as principais opções, segundo o China Daily.

Fontes

  1. 生成式引擎优化(GEO)第3部分:计价、评估与测量规范 (T/CAACCHINA 003—2026) — Plataforma nacional de padrões de grupo da China, 14 set 2026 · fonte principal
  2. China Wrote The First GEO Rulebook After A TV Scandal – Western SEOs Should Take Notes — Search Engine Journal, 21 out 2026
  3. A China escreveu o primeiro manual de regras do GEO depois de um escândalo na TV. A gente pode só copiar — CRO Brasil, 26 out 2026
  4. Cobertura do programa 3·15 sobre GEO e conteúdo fabricado — China Daily, 15 mar 2026
  5. Cobertura do 3·15 de 2026 e do envenenamento de respostas de IA — Global Times, 16 mar 2026

Rodrigo Beckmann

Especialista em GEO, co-fundador e CTO da First Answer. Mais sobre o autor →